Uma parte de mim é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão:
outra parte estranheza e solidão.
Uma parte de mim pesa, pondera:
outra parte delira.
Uma parte de mim alomoça e janta:
outra parte se espanta.
Uma parte de mim é permanente:
outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem:
outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte que é uma questão de vida ou morte será arte?
(Ferreira Gullar)
Um comentário:
Ó Flávio,eu estou feliz em todos os sentidos sabe...Deixei pra postar meu comentário aqui justamente por esta "Ambivalência",,em que encontra tão somente a sanidade na ARTE.Imagino o quanto tuas produções não (me) nos serão caras para essa "travessia".
Beijos para ti,só para ti.
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